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Fortaleza é, das capitais nordestinas, a mais distante em relação ao eixo Rio–São Paulo. A maioria de seus hotéis fica em frente a praias impróprias para o banho.
A melhor atração do Estado, a famosa Jericoacoara, está a 305 quilômetros da capital, no mínimo cinco horas de viagem.
A maneira como Fortaleza superou esses obstáculos e se tornou uma das quatro cidades que mais recebem turistas no Brasil é exemplar. Em primeiro lugar, sua vocação turística foi minuciosamente planejada, caso raro no Brasil. Em segundo, e mais raro ainda, o planejamento foi cumprido. Nascida nas instâncias políticas locais, a decisão veio à tona há dez anos. Desde então, investiu-se em infra-estrutura, em atrações como o Beach Park e o centro cultural Dragão do Mar, sem paralelo nas outras capitais do Nordeste, e na urbanização da orla marítima.
A avenida dos hotéis, a Beira-Mar, fica lotada de manhã, de tarde e, especialmente, de noite. É repleta de turistas e de moradores, que fazem jogging, provam o caranguejo e a cerveja servidos nos quiosques com mesas na areia, conferem a feira de artesanato noturna ou, simples e tranqüilamente, passeiam.
As tradicionais noitadas na Praia de Iracema, que concentra bares e restaurantes no mais perfeito estilo "zona turística", ou seja, fachadas coloridas, mesas na calçada, cardápio exposto numa estante, garçons – e moçoilas – caçando fregueses, ganharam concorrência.
Para recuperar a graça perdida, mais investimento, na forma de uma obra arquitetônica imponente, com torres e blocos de concreto branco ligados por passarelas suspensas vermelhas, por entre e sobre o belo casario do tempo em que Iracema era a área portuária da cidade. Com planetário, museu, livraria, cinemas com boa programação, um café moderninho e eventos variados, o Dragão do Mar pegou. Virou animado ponto de encontro noturno.
Hoje, ao redor do centro cultural, há bares, restaurantes e boates funcionando em prédios antigos restaurados, como o Órbita e o Bar do Bexiga. O Dragão só desanima de madrugada. Nessa hora, o agito muda para Mucuripe, um bem montado complexo de duas boates e choperia, no fim da Beira-Mar.
De dia, o endereço de encontro muda para 10 quilômetros a leste da avenida dos hotéis. É a Praia do Futuro, cujo atrativo maior é ser o local onde toda a cidade vai, simplesmente, pegar praia. No mais, são 6 quilômetros de areia, mar com boa balneabilidade e uma barraca ao lado da outra, para todos os gostos. Tem a barraca da moçada (Biruta), a dos GLS (Cabumba), a das famílias (Itapariká), a do turismo masculino (Chico do Caranguejo) e mais algumas dezenas delas.
Uma única praia badalada é pouco? Não seja por isso. Enorme e bem organizado, o Beach Park atrai turistas também para a Praia Porto das Dunas, a 30 quilômetros de Fortaleza. O parque aquático tem brinquedos com água jorrando de todas as direções e das mais variadas maneiras. É o tipo de programa bom para quem viaja com a criançada, com opções para diversas faixas etárias. Tem piscinas com ondas, com correnteza e rasinha para bebês. Tem escorregadores suaves, toboáguas abertos e tubulares, que caem reto e que dão voltas, para ser percorridos de costas e de frente, com bote, com prancha ou na pele mesmo. O mais radical despenca de uma torre de 41 metros, a altura de um prédio de catorze andares. O parque é um microcosmo de diversões aquáticas (só o ingresso de 50 reais e alguns preços internos são de secar a garganta) e ainda está à beira de uma praia bonita. No fim da enseada, fica a Prainha, emoldurada por dunas.
Jericoacoara, ou Jeri, para facilitar, é a outra atração cearense com direito a ocupar um lugar de honra no mapa do turismo. Nesse vilarejo de 2 000 habitantes, nenhuma pousada tem muito conforto, nem mesmo muito charme. A praia é de areia batida, tão pouco convidativa que não se vê um único guarda-sol. Chegar lá demanda uma jornada estafante: cinco horas de asfalto mais uma hora de trilhas de areia, sem parada. A paisagem única, às vezes com um toque surreal, explica por que tantos turistas, brasileiros e estrangeiros, enfrentam tamanha canseira. Numa área enorme, a perder de vista, alternam-se dunas e mais dunas, um morro alongado que parece uma anomalia verde em meio a tanta areia, mangue, coqueiros e formações rochosas de uma plasticidade rara – as pedras furadas à beira-mar são o exemplo mais marcante. E ainda tem duas lagoas especiais, de água azul, cristalina no rasinho, cercadas de areia branquíssima e fofa. Mais uma duna, com a água do mar batendo no sopé, que muda de cor conforme o sol vai se pondo à sua frente.
Não bastasse o visual do entorno, a vila ficou camuflada entre árvores e coqueiros e não tem calçamento nem iluminação nas ruas – caminha-se na areia, sob as estrelas. Ou seja, é um destino perfeito para pessoas que buscam exatamente o encanto de um lugar não maculado pelo turismo de massa, uma autêntica vila de pescadores. Isso, durante o dia. Na madrugada, tudo se transforma. A balada começa nos bares perto da praia, segue com o forró, continua na padaria Santo Antônio, com horário de funcionamento entre 3 e 6 horas da manhã, e termina no Mama África. Nos feriados, é a invasão de hábito – quem cultua a rusticidade deve evitar. No resto do ano, é fácil entender por que tanta gente enfrenta a parada para chegar até lá. Basta olhar Jeri, a bela.
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